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Arapaçu-liso, uma ave seguidora de quatis no Plaza Caldas da Imperatriz

Conheça a arapaçu-liso

Interações ecológicas são as relações estabelecidas entre diferentes seres vivos na natureza. Elas podem ser intraespecíficas, ou seja, entre indivíduos de uma mesma espécie, ou interespecíficas, quando envolvem indivíduos de diferentes espécies animais ou vegetais. Grande parte das interações ecológicas são comuns e podem ser observadas a todo o momento na natureza, por exemplo, quando uma ave consome um inseto, ou quando um mamífero consome o fruto de uma planta e dispersa suas sementes. No entanto, algumas interações são mais complexas e difíceis de serem observadas e documentadas (fotografadas ou filmadas).

Arapaçu-liso

Arapaçu-liso (Dendrocincla turdina) fotografado no jardim do Plaza Caldas da Imperatriz

No dia 29 de novembro de 2023, no jardim do Plaza Caldas da Imperatriz, foi observada uma dessas interações pouco comuns, uma ave seguindo um bando de quatis. A ave em questão é o arapaçu-liso, de nome científico Dendrocincla turdina. Esta espécie, assim como outros arapaçus, é uma ave escaladora de troncos, que utiliza suas fortes garras e sua cauda para subir verticalmente os troncos, onde procura por insetos, aranhas e até mesmo pequenos vertebrados para se alimentar. Estas aves são muitas vezes confundidas com os pica-paus (Família Picidae), mas pertencem a uma família distinta (Família Dendrocolaptidae) e não são capazes de bicar e perfurar o tronco das árvores.

Arapaçu-liso

Arapaçu-liso seguindo quatis no jardim do Plaza Caldas da Imperatriz

Mas com qual propósito uma ave estaria seguindo um bando de quatis? A resposta é simples, para capturar insetos! No dia em questão, por volta das 15h, um bando de quatis estava procurando alimento no alto das árvores, principalmente dentro de bromélias, que abrigam uma grande diversidade de animais, como anfíbios e diversos insetos. Na sua algazarra típica, os quatis acabavam derrubando materiais do alto das árvores e espantando muitos insetos de dentro das bromélias. Pois foi aí que o arapaçu-liso começou a seguir os quatis de perto, sempre se posicionando cerca de um ou dois metros abaixo dos quatis. Assim que algum inseto era afugentado pelos quatis, o arapaçu alçava voo na tentativa de capturar os insetos fugitivos. Foram observadas pelo menos quatro tentativas de captura de insetos por parte do arapaçu, que acompanhou os quatis por quase uma hora. Ou seja, o esperto arapaçu estava se aproveitando da bagunça feita pelos quatis para tentar obter alimento mais facilmente.

Essa interação entre aves e mamíferos é conhecida para algumas espécies, tanto de mamíferos quanto de aves. Por exemplo, existem relatos na literatura de gaviões seguindo bando de macacos e quatis para capturar os insetos que são afugentados pelos mamíferos. Algumas aves que vivem no chão da floresta podem seguir bandos de porcos do mato, que reviram as folhas do solo e revelam os insetos escondidos. Apesar de já existirem relatos desta interação entre aves e quatis na literatura científica, incluindo a respeito do próprio arapaçu-liso, observar e documentar esse comportamento não é uma tarefa fácil, sendo necessário um ambiente preservado e equilibrado e também um bocado de sorte.

Texto e fotos: Biólogo Guilherme Willrich (@gwillrich)


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2024-03-02 11:03:21 - 1709377401
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